Ministra Nancy Andrighi é finalista do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico com obra sobre herança digital.
A sucessão já não envolve apenas imóveis, contas e empresas: senhas, arquivos, plataformas e dados também podem gerar conflitos quando não há orientação prévia.

O STJ informou, em 6 de agosto de 2026, que a ministra Nancy Andrighi é finalista do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico com uma obra sobre herança digital. O fato chama atenção porque o tema saiu da curiosidade tecnológica e entrou, de vez, na conversa sobre sucessão, patrimônio e família.
O hábito silencioso é simples: você organiza documentos do imóvel, acompanha investimentos, talvez tenha uma planilha do negócio, mas deixa a sua vida digital espalhada em senhas, aplicativos, e-mails, fotos, assinaturas, contas em plataformas e arquivos que ninguém sabe onde estão. O custo invisível aparece quando a família precisa decidir, acessar ou preservar tudo isso sem saber por onde começar.
A sua herança também mora em senhas, arquivos e plataformas
Herança digital, em termos gerais, é o conjunto de bens, dados, acessos e registros que ficam vinculados à sua vida online. Alguns podem ter valor econômico claro, como contas usadas em atividades profissionais, lojas virtuais, canais monetizados, arquivos de trabalho ou ativos mantidos em plataformas digitais. Outros têm valor afetivo, como fotografias, mensagens, vídeos e acervos pessoais.
O ponto delicado é que nem tudo o que está no ambiente digital deve ser tratado do mesmo jeito. Há conteúdos patrimoniais, conteúdos íntimos, informações de terceiros, dados protegidos por regras de privacidade e contratos de uso definidos por cada plataforma. Por isso, não basta dizer que “é tudo da família” ou que “ninguém pode mexer”. O caso concreto exige análise jurídica e técnica.

"Minha família sabe minhas senhas." Isso não resolve a sucessão digital
Compartilhar uma senha pode parecer uma solução prática, mas costuma ser uma falsa tranquilidade. Primeiro, porque senha não é planejamento sucessório. Segundo, porque o acesso a contas de terceiros pode esbarrar em termos de uso, regras de privacidade e limites legais. Ter a senha de alguém não significa, automaticamente, ter autorização adequada para movimentar, apagar, publicar ou transferir informações.
Além disso, a senha solta cria outro risco: você perde controle sobre quem acessa o quê, em vida ou depois. Um arquivo com todas as credenciais, sem critério, pode expor dados bancários, conversas privadas, informações de clientes, documentos de trabalho e imagens pessoais. A intenção de ajudar a família pode virar um problema de segurança, privacidade e disputa entre herdeiros.
O inventário tradicional não enxerga tudo sozinho
No inventário, a família organiza a transferência dos bens deixados por quem faleceu, conforme as regras aplicáveis e a situação dos herdeiros. Imóveis, contas, investimentos e participações societárias costumam aparecer porque deixam rastros formais. Já a vida digital pode ficar invisível: ninguém sabe qual e-mail centralizava acessos, quais plataformas eram usadas, onde estavam documentos importantes ou quais contas tinham relevância financeira.
Essa invisibilidade não elimina o problema, apenas o empurra para alguém. Um filho pode querer preservar fotos. Outro pode entender que um perfil público deve ser encerrado. Um cônjuge pode precisar localizar documentos. Um sócio pode depender de acessos para continuar uma atividade. Sem instruções claras, a família mistura luto, burocracia e tentativa de adivinhar a sua vontade.
Um planejamento prudente começa com mapeamento. Você não precisa transformar a sua intimidade em relatório aberto, mas pode indicar a existência de contas relevantes, separar o que tem valor patrimonial do que tem valor afetivo, registrar orientações sobre preservação ou encerramento de perfis e definir quem deve conduzir cada providência. A forma adequada depende do seu caso e deve ser avaliada com orientação especializada.

Seguro de vida não substitui planejamento, mas pode evitar improviso
Quando alguém morre, a família não lida apenas com herança. Ela lida com despesas imediatas, reorganização de renda, custos do inventário, tributos eventualmente devidos e decisões urgentes. Se parte da vida financeira estava concentrada em contas, plataformas ou negócios digitais que dependiam da pessoa falecida, a pressão aumenta. A falta de liquidez pode obrigar decisões ruins, como vender bens às pressas ou interromper atividades que ainda poderiam ser preservadas.
O seguro de vida, quando bem estruturado e aceito pela seguradora dentro das condições da apólice, pode fazer parte dessa conversa de proteção. Ele não resolve a titularidade de um bem digital, não substitui testamento, inventário ou orientação jurídica. Mas pode ser considerado como uma ferramenta para dar fôlego financeiro à família enquanto as questões sucessórias e patrimoniais são organizadas.
O que fica fora da conversa vira problema de alguém
A finalização de uma obra sobre herança digital em um prêmio acadêmico relevante, divulgada pelo STJ, mostra que o tema amadureceu. Não é assunto apenas para quem trabalha com tecnologia. Se você usa e-mail, aplicativos bancários, nuvem, redes sociais, plataformas de venda, arquivos digitais ou ferramentas profissionais online, a sua sucessão já tem uma camada digital.
A pergunta prática não é se a sua família vai precisar lidar com isso. Em algum momento, ela provavelmente vai. A pergunta é se você quer deixar um caminho minimamente organizado ou uma coleção de bloqueios, dúvidas e conflitos. Planejar não é antecipar tragédia. É reduzir o peso que recairia sobre quem já estaria vivendo um momento difícil.
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Fontes desta matéria
Cada informação acima veio de material público e verificável. Confira você mesmo.
- Ministra Nancy Andrighi é finalista do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico com obra sobre herança digitalSTJ · 06 de agosto de 2026
Conteúdo informativo. Não constitui proposta de seguro, aconselhamento jurídico ou recomendação de investimento. Situações individuais exigem análise específica.
