Inventário destrava antes do imposto ser quitado.
A mudança reduz uma barreira prática, mas não elimina o imposto nem substitui a organização financeira da sua família.

Em 2025, Bauru registrou 939 inventários em cartório, segundo material publicado pelo CNB/SP. O mesmo texto informa alta de até 1.250% nos procedimentos em cartórios da região de Bauru e Marília, após decisão do Conselho Nacional de Justiça que liberou a escritura antes da quitação do imposto sobre herança.
O hábito silencioso é deixar a sucessão para quando ela virar problema. Você paga condomínio, escola, plano de saúde, imposto do carro, mas raramente separa tempo para perguntar como a sua família pagaria custos, assinaria documentos e manteria a casa funcionando se o inventário começasse amanhã.
O imposto não sumiu, mas a fila mudou de lugar
A decisão citada pelo CNB/SP trata de uma barreira prática: a exigência de pagamento imediato do imposto para avançar com a escritura de inventário. Em termos gerais, o ITCMD continua existindo. Ele é um tributo estadual ligado à transmissão de bens por herança ou doação, e cada caso precisa ser analisado conforme as regras aplicáveis.
A diferença relevante para a sua família é outra. Se antes a falta de liquidez podia travar o início ou o avanço do inventário em cartório, a nova leitura permite separar duas conversas: formalizar a escritura e resolver a obrigação tributária. Isso não transforma o processo em algo automático, nem elimina documentos, avaliações, registros e exigências específicas.

"Eu resolvo quando precisar." O problema é que a necessidade chega sem agenda
Inventário não começa quando a família está emocionalmente pronta. Ele começa quando há contas, bens, contratos e decisões pendentes. Um imóvel pode precisar de manutenção. Um negócio pode depender de assinatura. Investimentos podem ter regras próprias. Enquanto isso, despesas seguem vencendo, mesmo que os herdeiros ainda estejam tentando entender o que existe e quem decide.
O custo invisível aparece justamente aí. Você olha para o patrimônio e pensa em valor, mas a família sente falta de acesso, clareza e liquidez. Um imóvel valioso não paga imediatamente as despesas do mês. Uma empresa pode gerar renda, mas também exigir continuidade. Uma carteira de investimentos pode depender de procedimentos formais antes de estar disponível para partilha.
Cartório ajuda, mas não organiza a sua família por você
O inventário extrajudicial, feito em cartório quando o caso permite, costuma ser lembrado como uma alternativa mais simples ao caminho judicial. Ainda assim, ele não substitui planejamento. É preciso reunir documentos, identificar bens e dívidas, definir a partilha possível, lidar com o ITCMD e cumprir etapas posteriores, como registros em imóveis ou alterações societárias, quando existirem.
A decisão do CNJ reduz um gargalo, mas não resolve conflitos familiares, falta de informação ou patrimônio mal documentado. Se seus herdeiros não sabem onde estão apólices, contratos, senhas, matrículas de imóveis, quotas de empresa ou declarações fiscais, a escritura pode ser apenas uma parte do caminho. Organização patrimonial começa antes da ausência, não depois dela.

O seguro de vida entra onde o patrimônio fica ilíquido
Quando a maior parte do seu patrimônio está em imóvel, empresa ou investimentos pensados para o longo prazo, a família pode ficar rica no papel e apertada no caixa. O seguro de vida, quando contratado, aceito pela seguradora e estruturado conforme a apólice, pode fazer parte dessa conversa porque cria uma fonte de recursos indicada a beneficiários, sem depender da venda imediata de um bem.
Isso não significa promessa de aceitação, valor, prazo ou resultado. Significa que liquidez é uma pergunta de planejamento. Quem pagaria custos do inventário, tributos, despesas da casa e compromissos da família enquanto os bens ainda estão sendo formalizados? Essa resposta não deveria depender de improviso, vaquinha entre parentes ou venda apressada de patrimônio.
A pergunta não é só quanto custa, é quem decide sob pressão
A mudança noticiada pelo CNB/SP mostra que uma regra processual pode destravar decisões familiares. Mas ela também revela outra coisa: muita gente só procura o inventário quando uma exigência fica menos pesada. O ideal é inverter a lógica. Primeiro você entende o que deixaria para trás, depois decide como reduzir o peso sobre quem fica.
O seu planejamento não precisa prever tudo, porque nenhum planejamento prevê. Mas ele pode deixar menos perguntas sem resposta. Quem são os beneficiários indicados? Quais bens dependem de registro? Onde estão os documentos? Que despesas surgiriam nos primeiros meses? Qual parte do patrimônio poderia virar caixa sem destruir valor?
Leve essa conversa para a Harpia e organize, com critério, a proteção que conversa com o seu inventário e a sua família.
Fontes desta matéria
Cada informação acima veio de material público e verificável. Confira você mesmo.
- CNB/CF: ‘Imposto de herança’: nova regra sem pagamento imediato faz disparar número de inventários em Bauru e MaríliaCNB/SP · 17 de setembro de 2026
Compartilhe esta matéria
Conteúdo informativo. Não constitui proposta de seguro, aconselhamento jurídico ou recomendação de investimento. Situações individuais exigem análise específica.


